The music of Marie e os nós que ela deu em minha cabeça

Mais uma vez temos um mangá estrelando aqui no blog. Já li esse há algum tempo, mas a história me fez refletir por tanto tempo (e juntou com minha grande disposição para escrever sobre ela, pois nunca acho que é o bastante) que só agora consegui finalizar o post.

The music of Marie é frequentemente citada pelos sites sobre mangás que eu normalmente acompanho, contudo ainda não tinha juntado coragem para lê-la. E, olha, nenhuma das minhas desculpas hoje seriam válidas para deixar de me deliciar com essa obra.

marie-no-kanaderu-ongaku

Foi em uma sede de me encantar que comecei a ler The music of Marie (Marie no Kanaderu Ongaku, em japonês), um mangá publicado pela Comic Birz entre 1999 e 2001. O roteiro foi escrito e desenhado por Usamaru Furuya e teve seus 16 capítulos compilados em maravilhosos 2 volumes. A história se passa em um futuro utópico onde não há discussões, preguiça, avareza, brigas, nem avanços tecnológicos, apenas felicidade e harmonia. Toda essa paz é regida por uma deusa mecânica chamada Marie – que paira entre as nuvens.

No entanto, a história é centrada em Kai, um menino com uma audição incrível, capaz de encontrar minérios sob a terra e ser o único a escutar a música que sai da deusa. Por conta dessa sua característica única, ele tenta aproximar-se dela para obter iluminação e acaba dentro do corpo-mecânico de Marie, descobrindo a verdade sobre o mundo e tendo nas mãos a escolha que pode mudar tudo.

A separação da história em dois volumes vai além do físico, pois o conteúdo em si também se divide. A primeira parte da narrativa é basicamente explicativa, onde são apresentadas as personagens, o local – que é que de uma beleza incrível – e o que está acontecendo. Durante esse período o autor aproveita para apresentar como essa sociedade lida com diversos assuntos que abrangem também a nossa realidade, como a diferença de religião, de modo bem simples, mas que nos fazem pensar.

Por conta dessa grande exposição da história, a leitura inicialmente fica um pouco mais morosa, mas é compensada pela criatividade do autor ao criar cada detalhe desse mundo tão diferente do que vivemos. Não tenho muita perícia para falar sobre a arte, mas a parte visual do mangá é de encher os olhos.

No segundo volume é que as peças começam a se encaixar, uma a uma. Os acontecimentos ganham sua verdadeira forma e mais velocidade, ficando quase que frenético. Os segredos começam a ser revelados, as dúvidas surgem e os dilemas saem do plano de pensamento de Kai para nosso. O que eu faria nessa situação? Será que o que eu fiz foi o certo? Em certo ponto, chega a ser torturador com os se’s que a obra nos oferece. Já se passou quase um ano que eu a li e por vezes ela ainda me bota para pensar.

E como se isso não fosse o bastante, o interessante mesmo fica ao cargo do final, que me fez folhear o mangá várias vezes para perceber alguns detalhes que me passaram na primeira leitura. Para mim, um desfecho muito bom para uma história incrível – do naipe que eu indico a todos, até aos que repudiam quadrinhos.

O título ainda não foi licenciado aqui no Brasil, mas acho que seria muito válido. E a boa notícia é que o Fuji Scan se compadeceu da nossa pobre alma e já traduziram para o português (para os poucos letrados, como eu). Não encontrei nenhuma adaptação para anime – ou algo parecido – ou sombra de que isso possa acontecer.

 

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